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De libertinagem / Da libertinaggio

Manuel Bandeira (1886 - 1968)

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água.
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Me la filo a Pasárgada

Me la filo a Pasárgada
Là sono amico del re
Lá ho la donna che voglio
Nel letto che sceglierò
Me la filo a Pasárgada

Me la filo a Pasárgada
Qui io non sono felice
L’esistenza là è un’avventura
In tal modo inconseguente
Che Giovanna la Pazza di Spagna
Regina e falsa demente
Sarebbe una lontana parente
Della nuora cho non ho avuto

E come farò gnnastica
Andrò tanto in bicicletta
Monterò muli selvatici
E alberi della cuccagna
Farò là bagni di mare!
E quando sarò stanco
Mi sdraierò in riva al fiume
Farò chiamare una sirena
Per raccontarmi le storie
Che Rosa mi raccontava
Quand’ero ancora bambino
Me la filo a Pasárgada

A Pasárgada c’è di tutto
È un’altra civiltà
C’è un metodo sicuro
Per evitare il concepimento
C’è telefono automatico
Alcaloide a volontà
E bellissime prostitute
Da poter corteggiare

E se sarò molto triste
Ma triste come non mai
Quando avrò il desiderio
A notte fonda d’ammazzarmi
- Là sono amico del re -
Là avrò la donna che voglio
Nel letto che sceglierò
Me la filo a Pasargada.

(Trad.: L. Stegagno Picchio )

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